Ghost Recon Wildlands é o mais novo jogo da linha de títulos da Ubisoft que se ancoram no sucesso do falecido Tom Clancy para promover um determinado tipo de história. No jogo da vez, um time de soldados norte-americanos invade a Bolívia para acabar com o reinado de um terrível cartel e salvar os pobres latinos indefesos, ‘MURICA! Mas o enredo é o de menos nesse título que se foca pesadamente no gameplay cooperativo e seu vasto mundo aberto para divertir os jogadores. E será que vale a pena?

História

A história de Wildlands foi o elemento que tirou o palito curto no sorteio. Fraco e desinspirado, o enredo do jogo não passa de uma desculpa para o gameplay. Temos muitos jogos que são assim e, em muitos casos, não tem problema, como no caso de Doom, por exemplo. Mas para um game de mundo aberto dessa magnitude e que trata de problemas sociais reais, se passando num país real, seria de se esperar um pouco mais de cuidado com a história. Ainda mais cavando a mão do falecido Tom Clancy pra assinar a capa do jogo antes do título.

O JOGO NÃO PASSA MUITO DO TRAFICANTES MALVADOS VS. MILITARES BONZINHOS, RECORRENDO PESADAMENTE À EXPOSIÇÃO PRA AVANÇAR NA NARRATIVA

O jogo não passa muito do traficantes malvados vs. militares bonzinhos, recorrendo pesadamente à exposição pra avançar na narrativa. Logo no início o enredo é basicamente narrado pro jogador, por um vilão bidimensional raso e sem humanidade alguma. Se o jogo abraçasse sua pieguice e falta de profundidade, teríamos algo interessante e mais original, às vezes até satírico, como acontece em games como Just Cause e Broforce. Mas as interjeições cheias de moralismo das conversas entre os soldados e alguns discuros com toda cara de sermão mostram que a história se leva muito mais a sério do que tem condições de sustentar.

Algo de positivo que podemos apontar para o enredo e que certamente conta alguns pontos para dar uma salvada na nota é a incrível quantidade de conteúdo dentro do jogo. Se a história de Ghost Recon Wildlands não brilha pela qualidade, ela tenta compensar no volume. Há inúmeras “evidências” que o jogador encontra ao longo do jogo, trazendo mais detalhes sobre os chefes do tráfico que controlam as diferentes regiões, com vídeos, textos, arquivos em áudio, fotos, etc. Tudo pode ser colecionado e visualizado ajudando a tornar a ambientação um pouco mais interessante e realmente aprofundando a personalidade de cada inimigo. É uma pena que tudo isso fica menos valorizado num jogo com tanta ênfase no multiplayer em que ninguém vai ficar parado esperando você ler um documento que acabou de encontrar.

Jogabilidade

Chegamos então ao prato principal de Ghost Recon Wildlands. A jogabilidade do game é nitidamente seu principal atrativo, contando com um imenso mapa, recheado de missões, tanto da história, como alternativas. Cumprir as diferentes atividades e encontrar os colecionáveis libera pontos que podem ser usados para evoluir seu personagem, que tem uma skill tree complexa e de respeito. Além disso, são liberadas novas armas e modificações pras armas, aumentando ainda mais o grau de customização e a quantidade de conteúdo, além de ser um excelente incentivo para o gameplay. Você pode querer um upgrade específico pra sua arma e, pra isso, vai ter que enfrentar uma base do cartel, adicionando aí mais algumas horas de diversão.

A JOGABILIDADE DO GAME É NITIDAMENTE SEU PRINCIPAL ATRATIVO

A diversidade de cenários ajuda, então seria interessante se ela fosse maior. O mapa conta com regiões bem diferenciadas, com neves, desertos e lagos, mas elas são raras e demoram a aparecer, com 80% do gameplay ficando pelas florestas mesmo. Isso acaba contribuindo para o sentimento de repetitividade do gameplay, que começa a aparecer depois de algumas horas adentro. Apesar da variedade de missões e objetivos, o gameplay em sua essência é sempre invadir bases. Umas maiores, outras menores, umas mais difíceis, outras mais simples. Mas o que o jogador faz é sempre a mesma coisa, e isso cansa bem depressa, especialmente jogando sozinho.

Gráficos e Som

É difícil avaliar os gráficos deste jogo por causa da “inconstância” deles. Por vezes você estará pilotando sua moto numa pista molhada com lindos reflexos, contemplando um belíssimo pôr do sol nos alpes ao fundo. Em outras vezes a iluminação fica enlouquecida e parece que as folhas das árvores estão piscando no meio da noite. Isso no PC, porque nos consoles os gráficos são bem mais coerentes, nivelados no “mais ou menos” constante.

É DIFÍCIL AVALIAR OS GRÁFICOS DESTE JOGO POR CAUSA DA “INCONSTÂNCIA” DELES

Mas, mesmo em seus melhores momentos, os gráficos não chegam a ser um grande destaque para o jogo. Num mundo em que GTA V no PC já tem 2 anos, as texturas, draw distance e, especialmente, otimização de Ghost Recon Wildlands muitas vezes deixa a desejar. Essa otimização, aliás, merece um parêntesis.

O jogo foi lançado com péssimo desempenho, tornando impossível até para uma GTX 1080 Ti segurar mais de 60fps com as configurações no ultra. Depois foi lançado um patch que melhorou bastante as coisas, mas não podemos ficar perdoando esse costume de lançar o jogo mais ou menos e corrigir depois, especialmente com um patch de 4GB, que não é pouca coisa.

O maior problema do gameplay em Wildlands, no entanto, é que ele não traz nenhuma inovação, nada original. É apenas um amálgama de um número de elementos que já vimos em diversos outros jogos, sem oferecer algo marcante que defina o jogo.

Já a parte de som impressiona! É surpreendente uma dublagem tão ruim em pleno 2017. A Ubisoft foi uma das pioneiras em localização no Brasil e parece que Wildlands foi dublado nessa época mesmo, do pioneirismo. A voz é, no máximo, lacônica em 90% do tempo e é de cair o queixo o sono com que o protagonista diz “granada” pra avisar o grupo que está arremessando um explosivo letal. Reparem que ele “diz”, não “grita”. Estou citando aqui um dos piores exemplos, mas as coisas não ficam muito melhores que isso numa experiência geral que não passa muito do medíocre. Com as vozes em inglês melhora um pouco, mas não muito também.

A PARTE DE SOM IMPRESSIONA! É SURPREENDENTE UMA DUBLAGEM TÃO RUIM EM PLENO 2017

A trilha sonora também não tem muito a oferecer. Tirando as músicas que tocam no rádio que são uma diversão ouvir, não tem muita música no jogo. Se o seu veículo não tiver rádio, você tem uma longa viagem de silêncio pela frente.

Outros efeitos sonoros em geral merecem algum elogio e são o que seguram a nota pra essa parte. Os sons das armas é variado e ouvir as balas atingindo o alvo é sempre satisfatório. Os sons dos veículos são satisfatórios o suficiente e também não há do que reclamar da sonoplastia dos movimentos dos personagens, seja nos passos ou nas roupas.

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Ghost Recon Wildlands é um almoço de microondas. O jogo não tem aquele tempero memorável que vai colocá-lo entre os grandes lançamentos quando estivermos lembrando de 2017 daqui a alguns anos, mas certamente serve pra matar sua fome de uma diversão rápida e descomprometida, especialmente se for com os amigos.

Até a próxima!


 

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Mizael Manoel

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