Sinopse: “A série gira em torno de Clay Jensen, um estudante tímido do ensino médio, que encontra uma caixa na porta de sua casa. Ao abri-la, ele descobre que a caixa contém sete fitas cassete gravadas pela falecida Hannah Baker, sua colega que cometeu suicídio recentemente. Inicialmente, as fitas foram enviadas para um colega, com instruções para passá-las de um estudante para outro. Nas fitas, Hannah explica para treze pessoas como eles desempenharam um papel na sua morte, apresentando treze motivos que explicam porque ela se matou. Hannah deu uma cópia das fitas para Tony, um de seus colegas da escola, que avisa para as pessoas que, se elas não passarem as fitas, as cópias vazarão para todo mundo, o que poderia levar ao constrangimento público e vergonha de algumas pessoas, enquanto outros poderiam ser ridicularizados ou presos.”

Muito tem se falado sobre o que série representa, ou se ela deve ser indicada, se ela é necessária e ao que parece isso será uma discussão longe de ter um senso comum; então vamos falar sobre o impacto que a série teve; não será de fato uma resenha na primeira parte, provavelmente será um pouco mais pessoal que isso, e  13 Reasons Why é uma série que foi feita pra isso, pra você sentir o impacto de forma bem pessoal.

Muito tem se falado sobre “não ser um porque” sobre não ser um idiota, não ser a razão de alguém tirar a própria vida mas, o que de fato é ser um porque?

Eu fico pensando se a parte da audiência (a grande maioria) que aderiu a essa ,já ressalto que válida, campanha sabe realmente o que é ser um “porque” . Boa parte das pessoas se identificam com a Hannah mas será que elas fariam diferente das 13 pessoas? Já que até mesmo a indiferença ou a inércia de alguns personagens foram culpabilizadas.

Será que a maioria das pessoas que aderiram à campanha nunca fizeram coisas como; compartilhar fotos, memes, o que for que continham pessoas sendo ridicularizadas pelo rosto, corpo, gênero, estilo, educação ou qualquer outra coisa?
Pessoas que você talvez nem conheça.
Ou nunca tentaram impor padrões de forma violenta em alguém, dizendo que como ela se veste,se comporta,pensa, é errado, ruim, diferente demais ou até com palavras mais fortes?
Você nunca foi rude ou cruel com alguém de forma indireta ou direta sem nem mesmo se preocupar por um segundo em como a parte que recebe a mensagem iria se sentir?
Enfim toda essa reflexão sobre não ser a razão de alguém me fez refletir isso em questões nos quais a gente nem se preocupa as vezes em ferir alguém.

A principal lição que a serie me deixa é a de que a gente não sabe como as pessoas estão no íntimo, ou que faz alguém se sentir mal, profundamente sozinho, ou desamparado, ou seja nós simplesmente devemos tratar TODAS as pessoas com no mínimo civilidade e respeito; mas a gente teve que ver uma série pra entender isso?  Acho que a principal ideia da série foi criar esse debate válido e necessário e isso foi feito de forma competente já se vê pela comoção que a mesma tem causado.

Passado as reflexões vamos falar sobre o corpo da série?

A série tem uma protagonista cativante, graças a ótima Katherine Langford, o que deixa a experiência quase torturante, você se apega a uma personagem o qual você já sabe o fim e ele é trágico e irreversível.
A fotografia deixa bem clara passagem de tempo; tons amarelados e vivos pra flashback, tons azulados e opacos pro presente.
E  ainda temos o (desnecessário) machucado eterno de Clay pra nos ajudar com a linha do tempo.
Existe um excesso de episódios aqui, é preciso reconhecer que não era necessário uma episódio pra cada fita e que nem todas as fitas sustentavam um bom enredo pra um episódio inteiro, o que fez alguns desses episódios ficarem extremamente arrastados e deixando aquela vontade de arrastar pra frente a barra até achar o clímax do episódio.
A série poderia diminuir pra 7/8 episódios ou até menos sem problema algum, isso até acresceria ao enredo.

A dificuldade da mãe de Clay em tomar claramente uma ação aos primeiros sinais de (sérios) problemas de seu filho também são uma falha narrativa quase irritante e repetitiva.
Falando sobre o Clay, Dylan Minnette está muito bem no papel, e vale o destaque.
A série nos presenteia com atuação INSANA de Kate Walsh; a dor que ela transmite é real. É uma mãe que acabou de perder sua filha e não sabe a razão e busca essa resposta com uma avidez excruciante.

A série de fato traz à tona assuntos que precisam ser discutidos, debatidos, que precisam de lugar na pauta social e se ela o fez é excelente, mas existem alguns problemas na forma em como alguns temas extremamente sensíveis são abordados.
Algo que foi muito recorrente nas falas do diretor da série foi  que “é perturbador em cena porque realmente é algo perturbador que acontece e precisa ser debatido.”
Concordo com a frase mas não com a execução, quando encontramos gatilhos emocionais temos de fazer tudo pra desarma-los e não o contrário.
As cenas de agressão sexual são discutíveis apesar de eu também ter achado um tanto expositivas demais, fortes demais, esse tipo de tema já perturbador em si, ele não precisa de uma representação tão forte na minha opinião, mas como eu disse ainda são pautas discutíveis.
Mas a cena do suicídio não.
Já é perigoso em uma série que tem uma comoção adolescente tão forte você representar o suicídio  de forma punitiva
(punindo no caso o algoz; quem é “responsável” pela decisão do ato do suicídio)  exatamente por causa dos gatilhos emocionais que eu já citei.
Mas sobre a cena, não há elemento narrativo que justifique uma representação tão forte e com uma perigosa sensação de alívio por parte da protagonista.
Existem sentimentos ligados a depressão e ao ato de suicídio que poderiam ter sido explorados de formas muito melhores e gerado debate construtivo, mas essa cena não acrescenta nada além de audiência .
Não foi uma representação necessária pra narrativa, o tema por si só já é complexo e duro, não era necessário.

13 Reasons Why não é uma serie que pode ser indicada pra todos, é necessário cautela e reflexão, eu mesma me senti muito angustiada com a série e demorei pra tirar tudo do sistema.
De fato ela impacta e te faz pensar, mas um  roteiro menos subjetivo e arrastado, e uma visão menos superficial de alguns problemas e uma abordagem mais responsável de outros teria melhorado consideravelmente o resultado final.

Mas de fato uma serie com uma tema tão forte me marcou e vamos ver se tem material pra sustentar uma boa segunda temporada.

Vamos esperar pra ver, 13 Reasons.

About The Author

Jéssica Ribeiro

Jéssica Ribeiro, 23 anos, carioca. Cinéfila,Nerd,Seriadora, amante de Literatura e de nutella.

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